Não lhe reconheço, amigo.
Tem hoje novos ares à sua volta.
Ares de tristeza e de melancolia,
E eles não combinam com você, meu caro.
No momento em que ela chegou,
Preencheu sozinha todo o meu vazio.
Trouxe vida a esse coração
Que nunca batera verdadeiramente.
Peço humildemente que não se deixe abater.
Desse mesmo mal eu já sofri
E de suas dores me fiz íntima.
Seja surdo a seus conselhos, eu lhe peço, por favor.
Seja bendito o nosso fatídico encontro!
Pedi a ela que não fizesse indiferente.
Prefiro que esbraveje e zangue, que derrame em mim toda a sua cólera,
A passar mais um dia longe ainda que ao seu lado.
De nada adianta se tornar mártir solitário.
Cultive antes a paixão por si mesmo.
Alimente-se dela da melhor forma possível,
Sem perdas ou danos, amigo.
Por que ela não retorna da fortaleza na qual se esconde,
Se sempre será bem vinda em minha alma?
Deste latente amor faria para ela moradia.
Este que há de ser o bastante para nós dois.
Cuide-se, querido amigo.
O amor é sempre uma dádiva,
Concordo com você nesse ponto,
Mas assim o é apenas se soubermos moldá-lo.
É tarde...
O brilho nos meus olhos fugitivos aos poucos se esvai.
Não! O amor não me abandonará, jamais.
Em vez disso, ele me consome, mata-me.
Pouco a pouco.
Wednesday, July 16, 2008
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