Te vi flutuar no vazio.
Astronauta com cara de bobo
ao perceber que o mundo inteiro
cabe na pequeneza dos seus olhos.
Se aproximava aos saltos
e já avistava a nossa rua.
Rompeu barreiras em sua queda lenta.
Incendiou a atmosfera da varanda.
Esquecemos a porta aberta
e deixamos uma mosca entrar.
Sua camisa ondulava no ar
que o riso me roubava.
Na noite estrelada da parede do quarto
ela viu movimento, adivinhou ventania.
O azul se tornou onda, o amarelo, explosão.
Dormia de olhos abertos, mesmo sem sono.
Ela fragmentou palavras
e descobriu que primeiro tudo é verbo.
Sentiu o gosto de cada letra,
ouviu amplificada a sua própria voz.
Seu coração dispara em pensamento,
as pernas pedem para crescer,
o cérebro também sente cócegas,
a boca seca, o ar é rarefeito.
A barraca virou barco,
o quarto virou casa,
o universo grande demais,
talvez a gente seja mesmo consciência.
Saturday, February 28, 2015
Sunday, February 22, 2015
expandir
E quando você acha
que não vai mais aguentar
que vai romper,
que vai rasgar,
o corpo alonga,
se desdobra
sobre a irrealidade daquela dor
e a respiração se expande,
se aprofunda.
que não vai mais aguentar
que vai romper,
que vai rasgar,
o corpo alonga,
se desdobra
sobre a irrealidade daquela dor
e a respiração se expande,
se aprofunda.
é do mar (ou uma cerveja antes do almoço)
Estava então tudo parado
numa trégua entre o tempo e eu.
Outra tarde quente de frente pro mar
e a maresia nos abraçando.
Braços e pernas entrelaçados,
meus dedos brincando nos seus cabelos,
minha boca sorri sedenta de você,
meus olhos mergulham e a mente se deixa levar.
Uma tarde com a pele salgada,
olhando o mar zombar da praia.
Rindo dos outros e de nós mesmos,
contando as cores de um céu saudoso de outras vidas.
Saltar nunca foi problema.
O medo está no que vem depois da queda:
água entrando pelos ouvidos e nariz,
o corpo impotente se chocando contra as pedras.
Você saltou, eu saltei.
Pensar demais só atrapalha
e o mar brincava de nos afastar,
só pra nos jogar de novo nos braços do outro.
Quis lhe trazer pra dentro de mim.
Meu propósito e minha maldição.
Nunca escapamos de fazer planos
quando só existe passado e futuro.
As ondas quebram trazendo lembranças
de muito-tempo-atrás ou de ontem-mesmo.
Ondas mais fortes, ondas mais fracas;
dentro da cabeça ou no mar.
Se o mar arrastasse com ele o tempo,
seríamos Índico, Pacífico e Atlântico.
Da parte que está longe, mas logo chega.
Promessa de vida inteira, não mais pela metade.
e o mar brincava de nos afastar,
só pra nos jogar de novo nos braços do outro.
Quis lhe trazer pra dentro de mim.
Meu propósito e minha maldição.
Nunca escapamos de fazer planos
quando só existe passado e futuro.
As ondas quebram trazendo lembranças
de muito-tempo-atrás ou de ontem-mesmo.
Ondas mais fortes, ondas mais fracas;
dentro da cabeça ou no mar.
Se o mar arrastasse com ele o tempo,
seríamos Índico, Pacífico e Atlântico.
Da parte que está longe, mas logo chega.
Promessa de vida inteira, não mais pela metade.
Do que é meu e não me pertence
Do que sou eu quando somos plenos
Pipoca, pizza, preguiça, pôr do sol e muitamor.
em crescimento
Dos galhos secos daquela árvore
brotei eu durante o inverno.
E quando ela floriu
já meus olhos estavam secos.
Me descobri palavra
num mundo de ruídos.
Desdobrando-me de uma sílaba,
como pequena que já fui.
Floresço hoje só pra mim.
Amanheço devagarzinho
porque o resto do mundo
pode esperar.
Talvez não mais seja força,
me torno continuidade.
Como criança que aprende a andar
e descobre que correr é melhor.
Mas não sou só uma
(soube hoje, me contaram).
Na verdade, eu sou três:
duas velhas fofocando sobre outra.
Não sou uma assim de cada vez,
eu sou as três ao mesmo tempo,
Sou tronco, galhos e folhas;
fluindo em toda direção.
brotei eu durante o inverno.
E quando ela floriu
já meus olhos estavam secos.
Me descobri palavra
num mundo de ruídos.
Desdobrando-me de uma sílaba,
como pequena que já fui.
Floresço hoje só pra mim.
Amanheço devagarzinho
porque o resto do mundo
pode esperar.
Talvez não mais seja força,
me torno continuidade.
Como criança que aprende a andar
e descobre que correr é melhor.
Mas não sou só uma
(soube hoje, me contaram).
Na verdade, eu sou três:
duas velhas fofocando sobre outra.
Não sou uma assim de cada vez,
eu sou as três ao mesmo tempo,
Sou tronco, galhos e folhas;
fluindo em toda direção.
bagunça de nós
Nós
Nós somos uma bagunça
Somos roupa no chão do quarto
Somos louça suja na pia
Somos
Às vezes dois, às vezes três
De vez em quando, um
Que de tão juntos viram meio
Infinitos
Embalados no mesmo ritmo
Sem saber onde começa ou termina
Perdidos um dentro do outro
Nós somos uma bagunça
Somos roupa no chão do quarto
Somos louça suja na pia
Somos
Às vezes dois, às vezes três
De vez em quando, um
Que de tão juntos viram meio
Infinitos
Embalados no mesmo ritmo
Sem saber onde começa ou termina
Perdidos um dentro do outro
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