Wednesday, August 6, 2008

Rua das Flores

para Luís Phelipe porque tinha de ser.

Já faz um ano que não nos falamos.
Faço-o sempre sozinha, é justo aqui dizer.
Você não me respondeu sequer uma vez, compreendo.
Espero muito de você assim como de todos os outros,
Quão injusta serei eu?

Uma partida lenta e dolorosa como a sua,
Deixa abertas feridas que custam a cicatrizar.
Fere-me esta criatura inerte,
Na qual lhe transformaram.
Você que era cheio de vida, agora sobrevive em lembranças.

Deixou-nos à mercê da vontade,
Perdidas nessa rua infinita a qual,
Vez em quando é invadida pela gélida brisa da saudade.
Nesta onde tantos passam todos os dias
E na qual tão poucos trocam olhares.

Você foi um dos poucos, tenho prazer em dizer-lhe isto.
Um daqueles cujo olhar parou em mim.
Olhamo-nos sem ambições e até, sem paixão, apenas sinceridade.
Firmemente, segurou-me pelos ombros.
E me embalou em seu abraço.

Você foi mais que um amigo,
Fez bem mais que um amante,
Pois talvez esses estejam ainda presos à carne.
No pouquíssimo tempo que tivemos,
Tornei-lhe um tão querido irmão!

Talvez eu seja mesmo tola...
Fui cruel, realmente insensível.
Ralhar daquela maneira com você,
Que não escolheu nos deixar...
Que poderia ainda estar aqui.

É estranho e ainda muito errado me parece,
Ter de lhe dizer “adeus”, logo a você.
Mas era tudo tão frágil, permitimo-nos a ilusão.
Arrancaram-lhe de nós.
E eu sinto tanto a sua falta...

Há um ano essas flores foram suas,
Este mesmo sol sorriu para você.
A mesma brisa que sopra agora,
Tocou as suas faces.
Já faz um ano...

Wednesday, July 16, 2008

Ao Amigo que Sofre

Não lhe reconheço, amigo.
Tem hoje novos ares à sua volta.
Ares de tristeza e de melancolia,
E eles não combinam com você, meu caro.

No momento em que ela chegou,
Preencheu sozinha todo o meu vazio.
Trouxe vida a esse coração
Que nunca batera verdadeiramente.

Peço humildemente que não se deixe abater.
Desse mesmo mal eu já sofri
E de suas dores me fiz íntima.
Seja surdo a seus conselhos, eu lhe peço, por favor.

Seja bendito o nosso fatídico encontro!
Pedi a ela que não fizesse indiferente.
Prefiro que esbraveje e zangue, que derrame em mim toda a sua cólera,
A passar mais um dia longe ainda que ao seu lado.

De nada adianta se tornar mártir solitário.
Cultive antes a paixão por si mesmo.
Alimente-se dela da melhor forma possível,
Sem perdas ou danos, amigo.

Por que ela não retorna da fortaleza na qual se esconde,
Se sempre será bem vinda em minha alma?
Deste latente amor faria para ela moradia.
Este que há de ser o bastante para nós dois.

Cuide-se, querido amigo.
O amor é sempre uma dádiva,
Concordo com você nesse ponto,
Mas assim o é apenas se soubermos moldá-lo.

É tarde...
O brilho nos meus olhos fugitivos aos poucos se esvai.
Não! O amor não me abandonará, jamais.
Em vez disso, ele me consome, mata-me.

Pouco a pouco.

Thursday, May 15, 2008

Juras

Amar sem pudores.
Sem orgulho, medos ou fantasias.
Sem dores, sem egoísmo, limites ou sem rancores.
Amar sem iludir, sem persuadir.
Amar sem seriedade.

Amar sinceramente, da única forma possível.
Com doçura e cuidados.
Ser todo mimos e bom humor
Ser vida e morte.

Sermos o renascer eterno do nosso amor.
Eis tudo aquilo que lhe posso oferecer.

Thursday, March 27, 2008

Poema do Ele Menino

Amo-te por seres ainda menino que insiste em brincar de homem. És meu – menino. E eu, se um dia fui razão, hoje sou apenas tua. Maldigamos a realidade se aqui dentro somos apenas nós. Não sinto mais o tempo ao teu lado, apenas as dúvidas de um amor que floresce. Sonho gastar os dias a teu lado enquanto decifro teu perfume em minha pele. Doce, para me arrancar sorrisos, ou intenso o bastante para que nunca te percas em minha memória.

Cecília

És tão doce, minha menina...
Tão ingênua e bela como nunca vi igual
Teu riso que me faz rir,
Teu pranto me que lacera.

És de todas a minha preferida, pequena.
Minha - pequena - amada, minha - pequena - irmã.

Quero

Amor puro, justo e belo.Apenas desmedido como o infinito e despretencioso como uma flor. A flor pequena e formosa, que do meu jardim é a mais cheirosa. Já é nosso todo ele, desde os teus olhos que me aprisionaram no espaço. Decorei-os com tanto esmero, que mesmo fechados no escuro, aindaos vejo brilhando. Por isso te amo além das palavras que agora perdi o modo de usar, te amo, não cansarei de repetir. de minuto a minuto, todos os dias, e enquanto for capaz.

Crueldade

Odeio o poder que ainda exerces sobre mim. Ações que se estendem por conta própria. Desejo que nunca tenhas consciência de fatídico poder. Porém, odeio-me ainda mais por ser ao mesmo incapaz de endurecer minha alma, não perdendo a ternura da essência. Àquele que viver, peço que me relate a dor de quem bate. Dor a qual não me dei o trabalho de ignorar, como tantos outros dão.

Ao pequenino

Pertenci-te ao primeiro olhar. O primeiro, nunca esquecerei. Teu rosto junto ao meu denunciando tua redenção. Refleti minha imagem na tua íris, propositadamente intensa, para que ali ficasse impressa. Talvez o domingo te traga de volta a mim. Para que eu possa mais uma vez, ou só mais uma, observar-te dormir com os ares de dono do mundo. A tez desprevenida, corada de sangue, o ritmo inigualável dos teus beijos e a temperatura de tuas mãos. O murmúrio da tua respiração de anjo caído. Tanto medo do mundo lá fora; Anjo caído, meu anjo.

Passado

Queria desfazer-me em gentilezas. Dizer-lhe doces frases ao pé do ouvido, justificar as minhas faltas e curar suas feridas. Durante o nosso tempo tentei negar a veracidade do que lhe dizia. Poupar-me enquanto fosse possível - ainda bem que este tempo acabou. Caí desprotegida na realidade, porém, não a tenho como ruim. Talvez continuemos assim, isto não me machuca mais. Tão próxima que já não sei se a mão que lhe toca é minha. Alguém me disse para voltar para casa. Mas a minha única casa é em você...