Monday, July 22, 2013

cinco da tarde

(five in the afternoon)

Você que chegou com calma,
Assim, sem pressa
Veio me ensinar a ser mais agora
E menos amanhã

Encheu de pôr-do-sol
Os meus dias-noite escuros
Pintou em tons de azul
Outro verão quente e vazio

Do poeta louco que gritava
Tiramos risadas
Dos minutos em silêncio
Esvaziamos desconforto

Falou-me sem falar de timidez
E mais amenidades para disfarçar desejos
Pegou minhas mãos nas suas
Suadas de ansiedade

Nas unhas roídas,
No olhar fugidio,
Nas pernas inquietas,
Li segredos de um menino que cresce

E eu que estava tão cansada,
Fiquei menina de joelhos esfolados
Deixe-me curar brincando de não querer
E, ao nosso ritmo, aprendemos dançar

Acossado


Ouvi-lo cair chamando por mim. Meu nome se sujando em seus lábios. Tantas inverdades me rasgando a pele, machucando o que ainda existia. “É tudo culpa sua. Por que está fazendo isso comigo?” repetia sem sessar.
Queimei-me no desespero dos seus olhos febris, duvidei de mim mesma. Escapava-me pelos dedos a minha verdade. Imaginei-me responsável por uma vida que se doía, uma alma que se torturava.
Carreguei com pesar sonhos interrompidos muito antes de me pertencerem. Lágrimas quentes e dor na garganta. Senti no peito as dores de quem já perdeu tudo mais de uma vez e agora luta para se agarrar ao pouco que ainda enxerga. Mesmo que esse pouco não exista mais.
Despido de qualquer orgulho, implorou por carinho com palavras subitamente doces. Sua armadura ruiu quando mais lhe foi necessária, revelando-lhe toda a sua fragilidade. Não se deve lutar por quem não voltará atrás em suas decisões.
Seus problemas não são meus – nunca foram –, suas dores não são minhas – por mais que eu tenha tentado saná-las. Apenas minhas escolhas me definirão. Não servirei mais a ninguém do que a mim mesma.