Sunday, February 22, 2015

em crescimento

Dos galhos secos daquela árvore
brotei eu durante o inverno.
E quando ela floriu
já meus olhos estavam secos.

Me descobri palavra
num mundo de ruídos.
Desdobrando-me de uma sílaba,
como pequena que já fui.

Floresço hoje só pra mim.
Amanheço devagarzinho
porque o resto do mundo
pode esperar.

Talvez não mais seja força,
me torno continuidade.
Como criança que aprende a andar
e descobre que correr é melhor.

Mas não sou só uma
(soube hoje, me contaram).
Na verdade, eu sou três:
duas velhas fofocando sobre outra.

Não sou uma assim de cada vez,
eu sou as três ao mesmo tempo,
Sou tronco, galhos e folhas;
fluindo em toda direção.