Dos galhos secos daquela árvore
brotei eu durante o inverno.
E quando ela floriu
já meus olhos estavam secos.
Me descobri palavra
num mundo de ruídos.
Desdobrando-me de uma sílaba,
como pequena que já fui.
Floresço hoje só pra mim.
Amanheço devagarzinho
porque o resto do mundo
pode esperar.
Talvez não mais seja força,
me torno continuidade.
Como criança que aprende a andar
e descobre que correr é melhor.
Mas não sou só uma
(soube hoje, me contaram).
Na verdade, eu sou três:
duas velhas fofocando sobre outra.
Não sou uma assim de cada vez,
eu sou as três ao mesmo tempo,
Sou tronco, galhos e folhas;
fluindo em toda direção.
Sunday, February 22, 2015
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