Ouvi-lo cair
chamando por mim. Meu nome se sujando em seus lábios. Tantas inverdades me
rasgando a pele, machucando o que ainda existia. “É tudo culpa sua. Por que
está fazendo isso comigo?” repetia sem sessar.
Queimei-me no
desespero dos seus olhos febris, duvidei de mim mesma. Escapava-me pelos dedos
a minha verdade. Imaginei-me responsável por uma vida que se doía, uma alma que
se torturava.
Carreguei com
pesar sonhos interrompidos muito antes de me pertencerem. Lágrimas quentes e
dor na garganta. Senti no peito as dores de quem já perdeu tudo mais de uma vez
e agora luta para se agarrar ao pouco que ainda enxerga. Mesmo que esse pouco
não exista mais.
Despido de
qualquer orgulho, implorou por carinho com palavras subitamente doces. Sua
armadura ruiu quando mais lhe foi necessária, revelando-lhe toda a sua
fragilidade. Não se deve lutar por quem não voltará atrás em suas decisões.
Seus problemas
não são meus – nunca foram –, suas dores não são minhas – por mais que eu tenha
tentado saná-las. Apenas minhas escolhas me definirão. Não servirei mais a
ninguém do que a mim mesma.
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