Tão bela e formosa que és,
Tentadora senhora da vida pública,
Foste em corações jovens encontrar conforto
Para livremente suas línguas cavalgar,
Pisoteando os mais franzinos, ao seu bel prazer.
Pobres e tolos são aqueles que te fizerem oposição!
És astuta e atrevida, senhora dos homens,
Tais características, ninguém negará,
Porém, são-te desconhecidos o limite e a aceitação,
Sentimentos que nunca ousaria te desejar.
Para que me indisporia com a senhora?
Se tão mais confortável é repousar a cabeça em teu colo,
Desvinculando-me de um futuro que não mais me pertence,
Concedo-o todo a ti e a outros que tanto mais viveram,
Que tanto mais conhecem e que tanto anseiam por meu consentimento.
Deste dia em diante, ater-me-ei a teus planos,
Acatarei teus caprichos como ordens,
Pisarei, a teu exemplo, em quem se puser no caminho,
Mesmo apenas por um botão mais brilhante em meu uniforme.
És tão valiosa, senhora!
Entretanto, entristeço-me ao pensar que te deixarei,
Mesmo certo de que outros tomarão meu lugar,
Sofrerei enquanto estiver preso a este corpo,
Quando já não for superior, nem sequer à terra,
Pois dela surgiu e a ela tornará.
Das paredes pulsantes da minha cova,
Escorrerá fétido o muco da verdade,
Enquanto dançam uma cantiga obtusa.
Atores em suas vidas planejadas,
Satisfeitos com a superficialidade pacífica.
Preparando suas respostas,
Afinal, é imprescindível a própria imagem.
Devorando uns aos outros,
Perdidos sob lonas de circos errantes,
Todos ávidos pela mais honrosa posição.
Observá-los-ei docemente, afinal, somos nós
Da natureza, a maior criação
Que dela surgiu e a ela tornará
Se assim continuarmos,
Reis em nossa ilusão.
Está, enfim aqui exposta
A fina flor do jardim humano
Minha senhora esplêndida em teu trono,
Obra mais meticulosa, fruto da mais pura vaidade.
(Que dela surgiu e a ela tornará)
Wednesday, July 8, 2009
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