Atenho-me às rachaduras aparentes em sua fachada
A indiferença é um caminho conveniente até o próximo surto
Mantenho o sigilo apenas por ser covarde
Posso ouvir o meu autocontrole ao quebrar
De que me adianta dividir versos pueris
Com alguém que mais vagamente os compreenda?
A reflexão já revela as próprias fraquezas
Viver em seu mundo individual
É uma opção perigosamente tentadora.
Seguro-a ainda mais firmemente em meus braços
Mergulhar num universo mais puro e sombrio
Enquanto se faz preciso coabitar com um estranho
Sou a surdez que seus ouvidos agradecem.
Engoli as palavras como facas
Para que elas não lhe pudessem machucar
Mas, se por elas tão ávida está,
Encontrá-las-ei em meu interior
E todas lhe entregarei de bom grado, uma a uma.
A inconstância de seus atos
Equivale-se apenas à ausência de suas explicações
São tantas elas que a meus pés caem
Encharcando-me a alma de frustrações
E lamentos por sua dor que jamais serão ouvidos.
Se não deseja ouvir-me, porém,
Resistirá minha obediência
E de meus lábios partirão apenas
Cumprimentos polidos com necessário cuidado
Àquele que, sem desconfiar, não os merece.
Thursday, September 3, 2009
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