Wednesday, January 14, 2015

dormência

I

Queria poder guardar tudo numa caixinha.
O que há de doce e bonito,
o que há de sujo e doloroso.
Para poder não mais sentir
não precisar e não querer,
sequer lembrar.

A distância não diminui
só traz mais dor e solidão.
Tudo se faz como as lágrimas
que às vezes não consigo prender.
Me escapolem dos olhos,
entre os dedos e as palavras.

Se sentir fosse mais fácil,
não precisaria de anestesia.
Da dormência que me preenche os dias
dos sonhos em cor que iluminam noites,
fazendo da inconsciência um alívio
e a fumaça respirável.

II

Quis ver a música ecoar no vazio,
mas ele disse que o som não se propaga no vácuo.
Ficou então ela toda presa dentro de mim,
ressoando dentro das minhas paredes,
escoando por minhas veias a nossa melodia

A imaginação é uma droga.
Há dias em que me engano
e acho que consegui domar essa dor.
Mas ela sempre volta, pula fora da caixa
enquanto eu me desgasto por nós dois.

Eu choro, pra ver se sara.
Eu fumo, pra ver se apaga.
Eu seguro, pra ver se estanca.

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