É como a lucidez que segue a exaustão. Cada nervo está desperto, ainda que esgotado. As pontinhas formigam, o peito se abre em cores que não existem em pintura. Eu estou sempre no meio, dançando comigo mesma em três corpos diferentes. Liguei o chuveiro e deixei a água cair quente sobre os meus cabelos, mas ela não corria rápido o suficiente para acompanhar os rios que fluem dentro de mim.
Geralmente é como mergulhar, cair no sono estando acordada. Braços abertos e olhos fechados. O tempo se fragmenta, os movimentos ficam limitados porém infinitos. Dancei sozinha sem sair do lugar. Piruetei em pensamento porque as pernas estavam muito teimosas.
O ar começou a faltar e pensei cinco vezes até fechar o chuveiro. Abri a porta rezando pro cheiro sair. Só que eu não rezo. Nunca botei em ninguém a responsabilidade sobre a minha vida. Eu que me vire. Encarei meu reflexo no espelho e ela sorriu pra mim. Acendi uma luzinha, escancarei a janela e fechei as cortinas. Não queria me dividir com ninguém. Lembrei do celular, vai que, né. A cama pareceu muito longe e o chão me abraçou. Meus pensamentos de ego inflado ganham autoridade e acham que podem mandar no resto do corpo. As coisas deixam de ser coisas e viram linguagem. Brincar com os códigos me assusta um pouco. Eu fico tão linguista.
Pensei em me levantar, mas logo esqueci enquanto me levantava. Pulei na cama com os cabelos ainda molhados e me deixei à deriva sentindo o mundo girar devagarinho ou muito rápido dentro de mim.
Geralmente é como mergulhar, cair no sono estando acordada. Braços abertos e olhos fechados. O tempo se fragmenta, os movimentos ficam limitados porém infinitos. Dancei sozinha sem sair do lugar. Piruetei em pensamento porque as pernas estavam muito teimosas.
O ar começou a faltar e pensei cinco vezes até fechar o chuveiro. Abri a porta rezando pro cheiro sair. Só que eu não rezo. Nunca botei em ninguém a responsabilidade sobre a minha vida. Eu que me vire. Encarei meu reflexo no espelho e ela sorriu pra mim. Acendi uma luzinha, escancarei a janela e fechei as cortinas. Não queria me dividir com ninguém. Lembrei do celular, vai que, né. A cama pareceu muito longe e o chão me abraçou. Meus pensamentos de ego inflado ganham autoridade e acham que podem mandar no resto do corpo. As coisas deixam de ser coisas e viram linguagem. Brincar com os códigos me assusta um pouco. Eu fico tão linguista.
Pensei em me levantar, mas logo esqueci enquanto me levantava. Pulei na cama com os cabelos ainda molhados e me deixei à deriva sentindo o mundo girar devagarinho ou muito rápido dentro de mim.
No comments:
Post a Comment