Monday, March 9, 2015

brechó do que pode ser

Tô vendendo planos
para-sempre e para-agora.
Nessa agonia de não caber dentro de mim,
de transbordar o tempo todo.

Alguns são de se sonhar só,
outros são de sonhar junto.
Um emaranhado de vontades
que muito se contradizem.

São inúmeros, lado a lado condenados,
presos à condição de irrealidade.
Mas, de vez em quando, um escapa,
Vira gesto, vira palavra.

Do imaginário, sai de corpo nu.
Se despe de toda ilusão,
revela rachadura, manda olhar pra trás.
Só o incerto lhe envolve.

E se o querer for de verdade,
e eu quiser mais que ideia:
quiser carne, cheiro, voz.
Será que a gente se infinita?

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